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Vidançar faz audição exclusiva para meninos

Projeto social do Complexo do Alemão abre espaço para que mais meninos tenham acesso à dança: ampliando horizontes, quebrando estigmas e garantindo que a arte chegue a todos

No sábado, dia 6 de dezembro de 2025, o Projeto Vidançar abriu suas portas para uma audição especial só para meninos. O objetivo da ação é aumentar o número deles nas turmas de balé do projeto, que contam com centenas de meninas, mas pouquíssimos meninos.

Os candidatos selecionados passarão a receber a bolsa auxílio, a partir de junho de 2026. Com o patrocínio da Petrobras e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Vidançar conta com um espaço de treinamento adequado para esta preparação técnica que poderá fazer imensa diferença na vida de bailarinos.    

A audição foi uma oportunidade para que mais meninos possam trilhar um caminho belíssimo como o do bailarino Luis Fernando Rego, um exemplo do poder da dança e da transformação que o Vidançar promove. Luis cresceu no Complexo do Alemão, começou sua trajetória no Projeto Vidançar, conquistou uma vaga no Bolshoi onde fez sua formação profissional, foi convidado como bailarino do Tivoli Ballet Theatre Dinamarca e hoje brilha na renomada Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos.

“Toda essa linda trajetória do Luis começou aqui, no Vidançar, e a ideia desta audição é inspirada nessa força. Queremos dar oportunidade para que mais meninos possam se encantar com o mundo da dança. Temos centenas de bailarinas em sala, mas pouquíssimos bailarinos, porque ainda haja muito preconceito e falta de espaço. Para 2026, queremos identificar talentos e capacitar mais meninos para a área técnica profissional do balé. Estamos em um caminho muito especial, com a liderança de nossa coordenadora técnica, Renata Gouveia, que é responsável por esta seleção de novos alunos”, disse Ellen Serra, CEO do Projeto Vidançar.

“Esta audição tem enorme importância artística e social para todos nós. Abrir espaço para meninos na dança é ampliar horizontes, quebrar estigmas e garantir que a arte chegue a todos. A presença deles fortalece a diversidade estética das obras, enriquece a construção coreográfica e amplia as possibilidades expressivas dentro do projeto. Mas sobretudo, representa acolhimento, inclusão e oportunidade. Como artista, acredito profundamente que a dança é um território de liberdade e transformação. Quando oferecemos caminhos seguros para que meninos possam experimentar a arte, estamos ajudando a construir adultos mais sensíveis, conscientes e confiantes. Cada audição é uma porta que se abre para novas histórias, novos talentos e novos modos de existir no mundo”, disse Renata Gouveia, professora da Escola de Dança Maria Olenewa do Theatro Municipal, diretora do Studio Gouveia profissionalizante de dança e coordenadora técnica do Vidançar.

A arte tem o poder de transformar e quando essa transformação alcança crianças e adolescentes, ela atravessa famílias, comunidades e realidades inteiras. Por isso, essa audição não é apenas um processo seletivo: é um ato de compromisso com a formação humana, com a democratização da cultura e com o futuro da dança. O Vidançar reafirma sua missão de ser um espaço de oportunidades e transformação.


Sobre o Projeto ViDançar

Fundado em 2010, o Vidançar começou suas atividades no Complexo do Alemão, com uma turma de balé com 14 meninas. Hoje, atende também em Duque de Caxias e mais de 400 pessoas graças ao patrocínio da Petrobras/Programa Socioambiental e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec/RJ), pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Além das aulas de balé, breaking e jazz, o projeto oferece oficinas de reforço escolar (português e matemática), inglês, espanhol, audiovisual e xadrez. Há também a Rede de Mulheres Vidançar, que realiza rodas de conversas e oficinas de costura. Desde 2013, o Vidançar prepara seus alunos para audições de escolas profissionalizantes de dança e já inseriu cerca de 50 alunos na Escola Bolshoi, EEDMO Theatro Municipal, Petite Danse, Deborah Colker, Escola de Dança Alice Arja e Conservatório Brasileiro de Dança.